quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Construções


Mudanças e novidades

Sempre é bom lidar com mudanças e novidades. Portanto, vamos a elas. Desde julho estou me dedicando à área holística num espaço próprio, em Friburgo. Não é a primeira vez que faço isso. Há 23 anos, quando aqui cheguei dei continuidade ao trabalho que fazia no Rio. Foi bom. Tive algumas turmas de cursos e dei consultas de tarô e mapa. A vida, sempre dinâmica, me levou para outras atividades que redundaram na vida acadêmica. Dar aulas é uma vocação e uma alegria para mim. A Estácio a minha casa. Comunicação a minha praia.
No entanto, o trabalho holístico sempre foi uma via paralela para desenvolvimento de minha espiritualidade e autoconhecimento e aconselhamento aos meus clientes. Sabia que ela voltaria a disputar um espaço maior em minha vida, juntamente com a docência. E agora aconteceu. Tal qual a roda da fortuna que gira trazendo movimento e sucesso, estou ministrando vários cursos, jogando tarô, fazendo mapas, vendendo e dando consultas de cristais. As pedras vêm de Diamantina com toda a energia de um lugar especial.

Para meus leitores de outros municípios é também uma possibilidade de participar de oficinas de fim de semana, sobre o tema “Conheça suas energias e aprenda a lidar com elas”, que compõe o módulo básico para os cursos de cristais, tarô, numerologia e cores, meditação e holismo e as mudanças de paradigmas, e tem o seguinte programa:

Respiração
Aura: visualização, limpeza e proteção
Os três planos da personalidade humana
Emoções, sentimentos, sensações
Estados alterados de consciência/intuição
Corpos energéticos
Chakras
Plexos

Além do curso os participantes podem ainda desfrutar do clima e da energia maravilhosa deste local privilegiado nas montanhas cariocas. Podemos combinar via internet, in box e e-mail.

Carta do momento

Há muito tempo não analiso uma carta do tarô. Então vamos a ela. A carta sorteada foi a Torre. Acho que nada corresponde melhor ao momento que vivemos do que este arcano. Destruições, verdades vindo à tona, transformações ocorrendo independente da vontade dos envolvidos. Diante da Torre me pergunto: “O que não estou sabendo me desapegar? A que princípios arcaicos e ultrapassados ainda estou agarrada? Por quê não faço as mudanças antes que alguém as faça por mim?” A torre me lembra Gonzaguinha e seu verso famoso, “Não dá mais prá segurar, explode coração!” A Torre é um coração explodindo! Se nos antecedermos, a dor é menor. Por que ela, certamente, vai atuar! Então, vamos derrubar nossas torres particulares!

Aprendizado

Adoro cães! Sempre os tive e cuidei deles com carinho até a despedida final. Acho que eles nos ensinam muito. A ciência está descobrindo fatos fantásticos a respeitos desses nossos fiéis amigos. Coisas que nós que convivemos com eles já sabíamos empiricamente. Mas, confesso que não conhecia a capacidade de adaptação de um cão de treze anos. Dalai, meu shitzu herdado de minha mãe há quase um ano, é outro cão! Adaptou-se à nova casa e aos novos hábitos como um pet. Toma remédio na boca, alimenta-se muito bem, não suja mais a casa com suas necessidades fisiológicas e já usa seu banheirinho particular. De estressado passou a ser um cãozinho dócil. Um fofo que enche minha vida de alegrias e boas energias. E me mostrou que não há idade para aprender.

Saudades de “Velho Chico”

Para arrematar um comentário sobre “Velho Chico”, a novela que mesmo antes de terminar já está deixando saudades em minha rotina. Maravilhoso trabalho de elenco, arte e direção. Rico conteúdo, belos diálogos. Lenta, como requer uma obra quase poética que abordou temas atuais – corrupção, ecologia, relações familiares, rotinas interioranas do norte/nordeste, cultura indígena e muitos outros – com leveza e autenticidade. Sem falar na magnífica e inovadora trilha sonora nacional, super bem encaixada nos personagens e imagens. E além de tudo isso, nos ensinou sobre a agricultura sintrópica. Tão simples e lógica que nos faz parecer bobos por não tê-la percebido antes. Além de sua conotação holística/espiritual de ouvir o coração da Mãe Gaia! Parabéns a Benedito Ruy Barbosa e sua equipe de escritores e a Luiz Fernando Carvalho, mais uma vez brilhando na telinha.





sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Peço licença para uma homenagem especial

Publicado no boletin da ANASC - Antigas alunas do Sacré Coeur de Jesus -, primeiro semestre 2016


Mãezinha. Era assim que nós a chamávamos. Talvez pela influência baiana da família, o que sempre causava alguns questionamentos, pois para cada um de nós, ela era “minha mãe”. Ah ela é só “sua” mãe, dos outros não? Isso numa família de sete irmãos, era, no mínimo, engraçado. Mas essa é uma marca importante entre nós. Cada um tinha, verdadeiramente, a “sua” mãe que nunca correspondia à mãe dos outros, quando conversávamos a respeito dela. Este é o retrato perfeito de Isis Gurjão – uma mãe diferenciada para seus filhos. Acho que deve ser assim com todas as mães, no entanto, só posso responder pela minha!
Seus defeitos e qualidades se desdobravam e ecoavam nos corações da prole de acordo com os diversos temperamentos com os quais lidava. Ela era brava quando precisava ser, doce nos momentos de dificuldade e complacente nas contendas (muitas) que nosso sangue Gurjão provocava. Nessas horas dizia, “Isso aí não é meu, esse sangue não corre nas minha veias!” Isso nos sossegava e acionava o DNA “ Miranda de Souza paz e amor”. 
Sábia. É a melhor palavra que encontro para destacar entre suas qualidades. E foi assim até os últimos momentos de lucidez, conduzindo a família pelos caminhos da ponderação. Mas a sabedoria era acompanhada de tenacidade e autoridade. Só fazia o que queria. Concordava, dava voltas, aceitava e na hora h sua vontade prevalecia. Isso nos enlouquecia, especialmente nos últimos anos quando queríamos assumir o comando para dar-lhe um pouco de descanso. 
Diante de algumas situações críticas, depois de tudo resolvido, descobríamos que a concordância era um blefe. Ela tinha seguido os próprios rumos, muito diferentes do que o combinado. 
Doce ouvinte dos problemas dos filhos e de todos que a procuravam para aconselhamento. Talvez por isso, tenha deixado muitos outros filhos pelo caminho que trilhou nos 93 anos de vida. Pessoas que a admiravam e consideravam como amiga e mãe. Posso citar algumas instituições onde atuou e deixou amizades profundas: Ação Católica, Associação dos Pais de Família do Sacré-Coeur, Movimento Familiar Cristão, Casa de Mater. Porém onde mais se destacou foi na “Associação dos amigos e amigas dos filhos” onde possuía vários fãs incondicionais que a seguiram até o fim, e, tenho certeza, a guardam no coração para sempre. 
Disposta, porém um pouco atrapalhada com tarefas e horários, especialmente em dias de festas, pois queria dar conta, sempre, de algo além de suas possibilidades. Nesses momentos se desequilibrava, reclamava, achava tudo um peso e nos fazia rir, ou chorar... Mas no fim tudo dava certo, trazendo alegrias para todos os envolvidos. As inúmeras festas de mãezinha sempre foram inesquecíveis. 
Mãos de fada para cozinhar e costurar era nessas atividades que passava todo seu afeto. Grande nutriz. Na cozinha reinava e seus quitutes, dos mais simples aos mais sofisticados sempre foram imbatíveis. Na costura, vestiu suas filhas e netas como princesas e se superou no casamento da filha mais velha quando foi responsável pelo vestido dela, da noiva e das seis damas – as outras irmãs.
Apaixonada pelo marido, que perdeu cedo, nos deu um grande exemplo de companheirismo e devoção. Eram um par perfeito, talvez por isso, impossível de ser copiado como a vida nos mostrou... O casamento complementou sua religiosidade e fé, estrada que prosseguiu sozinha sem baquear em nenhum momento dos mais corriqueiros, aos mais dramáticos. Todos que a conheceram sabem a força que sua fé católica imprimiu nos anos da doença de sua filha Beth a quem confortou até o fim. 
E é da soma de todos estes atributos maternais com quem cada um de nós conviveu que posso definir a grande e maravilhosa pessoa que foi a “nossa mãe”. Uma estrela que brilha no céu junto a todos que se foram e que deixou em cada coração uma enorme SAUDADE.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Todo tempo é tempo e para todo o tempo tem seu tempo




Sábias palavras ouvidas de uma mestra, também, muito sábia. Por isso retomo meus escritos no blog sem culpa, nem dor na consciência, após ter abandonado alguns meses este espaço que me faz tão bem.  Sei que aqui ocorre uma troca poderosa entre as palavras e a energia de meus leitores que me abastece e preenche. Houve um tempo para o silêncio. Um tempo para a reformulação familiar sem a presença física de uma mãe forte, corajosa e amorosa a seu jeito. Um tempo para o fortalecimento emocional e espiritual. Um tempo para novas acolhidas familiares em Friburgo. Mas, todo tempo é tempo! E o tempo tem seu tempo.
Agora chegou o tempo das grandes mudanças pessoais e coletivas. Gosto de falar nisso, Urano, o revelador do conhecido, está aí emanando suas energias e virando o mundo de cabeça para baixo. E ai de quem não encarar suas lava-jatos, acarajés e tantas outras investigações interiores... Comigo não está sendo diferente. Fiz uma lista dos meus principais defeitos – uma espécie de pecados capitas particulares -, e estou praticando o desapego deles. Difícil! Mas sugiro que façam! Exercício de autoconhecimento muito poderoso.

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Mas como circular por entre esses vai e vem das transformações? Como encarar essa palavrinha “crise” e não achar que ela tem apenas a ver com dinheiro, equilíbrio financeiro, corte de gastos? É a crise que nos leva às soluções. Sem ela não há crescimento. Ela nos faz desacelerar, pensar, reformular. É a figura do mestre Saturno – regente dos Capricornianos. Ele seca para fertilizar, esgota para encher novamente. Leva a pessoa para o fundo do poço para que ela tente uma solução para subir novamente. Saturno é o precursor das mudanças. Sem ele ficamos imobilizados. Não é à toa que os capricornianos são tão trabalhadores. Passam a vida nesse vai e vem. Se pensarmos no tarô, vamos encarar a carta da morte que também encerra ciclos para iniciar novos. Ela movimenta a vida e ultrapassa o passado. Enterra o tempo. Todo tempo tem seu tempo. Vamos nos entregar ao tempo. Viver com leveza, suavidade e aceitação.

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Fui assistir ao filme “O regresso”, agora premiado com três oscars muito merecidos: fotografia, direção e melhor autor. Obra densa, muito sofrimento e dor. No entanto, há na fita uma belíssima integração entre  as forças do homem e da natureza. A personagem de Leonardo di Caprio, mostra o tempo todo a capacidade de superação pela força da mente e conhecimento visceral dos elementos da natureza. Ele domina a terra, água, fogo e ar de dentro para fora e de fora para dentro. E não se importa com o tempo. Quem conhece a Mãe Terra sabe que todo tempo é tempo e para todo o tempo tem seu tempo.

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E continuo perplexa com a capacidade de adaptação dos pequenos às novas mídias. Ah essas crianças cristais que estão chegando! Numa reunião de família oferecida pelas duas tias avós, minhas irmãs que acabam de chegar a Friburgo, os quatro pequenos foram proibidos de levar os tablets. Era preciso socializar, brincar uns com os outros. Notória preocupação dos pais atuais. Depois de correrem pelo corredor, entrarem e saírem dos quartos e armarem uma barulheira insuportável para os adultos, liberamos nossos celulares. Os danadinhos passaram o resto da festinha se comunicando pelo whats app. Tiraram fotos, selfies, e usaram nossos grupos para enviar uns aos outros as mensagens e imagens. Idades, cinco, seis e sete anos. Mas o melhor de tudo foi, no dia seguinte, morrer de rir com com os posts deles, antes de deletar as conversas. Vocês acham que nosso tempo é igual ao deles? 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Variedades espirituais


Buraco negro e minha estante




Carma
Houve muita mobilização com a foto do menino sírio, Aylan Kurdi, de 3 anos, morto afogado no Mediterrâneo. Seu irmão, de 5 anos, também morreu. O fato foi analisado sob todos os aspectos humanísticos, políticos, sociais, econômicos, afetivos. Eu, pessoalmente, não consigo olhar para a foto, passo batido. Talvez pela vivência com meus netos a imagem mexa no emocional de forma impactante... No entanto, logo que vieram as manifestações internacionais, os questionamentos da mídia sobre a pertinência e a ética da publicação da foto, e os resultados práticos imediatos de “tentativas” de solução para os imigrantes, compreendi que estávamos diante de um “case” cármico.  As pessoas gostam de olhar o carma sob o aspecto da reencarnação e, sem dúvida, os dois temas se interligam. Porém, há situações inexplicáveis, de grande comoção e repercussão que representam o significado cármico de algumas vidas. Este menino foi depositado pelos anjos, ali naquela praia, para cumprir sua função cármica: mobilizar o mundo para um tema assustador com o qual a humanidade se confronta atualmente: as hordas de imigrantes árabes que chegam à Europa fugindo de guerras. Impossível não haver uma resposta mundial diante daquele anjo dormindo nas águas. Inevitável a comoção dos organismos internacionais ao verem o resgate de seu corpinho no colo do soldado... Vida curta. Veio para isso, ser fotografado morto e viralizar na internet. Ele cumpriu sua missão. E o mundo vai fazer a sua parte?
Filmes
Assisti a dois filmes este fim de semana: “Interestelar” e “A culpa é das estrelas”. Ótimos. "Interestelar" nos coloca diante de enigmas da astronomia, física quântica, astrofísica. Assuntos que me fascinam! Ficção científica pura, abordando assuntos da ciência, sem respostas: viagens espaciais, buracos negros, buracos da minhoca, teoria da relatividade, tempo e espaço, vida em outros planetas e galáxias. Bom roteiro, no entanto, é preciso lembrar o tempo todo que é ficção onde tudo é possível. Confesso que gostei muito de pensar que por trás dos meus livros, entes queridos sugados pelo buraco negro da morte podem estar me mandando mensagens. Talvez por isso, ame tanto a minha estante... (Vejam o filme e vão entender do que estou falando).
Relutei muito para ver “A culpa é das estrelas”. Este assunto do câncer sacode minhas entranhas... Apesar de bem resolvida em relação a essa herança genética que me veio com muita força, fico hesitante. É como se dissesse para mim mesma: “Para que mexer nisso? Criei coragem e encarei. Bonito filme, sem melodramas. Dois jovens, aliás três, lidam com a doença de formas diferentes e interessantes. E ali encontrei também uma visão do carma: temos que viver bem cada momento para dar conta do que viemos aprender. Muitas vezes a vida nos surpreende mudando completamente as programações...
Netos
Esta semana meus netos da camada de cima, Luis Otávio (16) e Marco Aurélio (12) vieram almoçar comigo. Fiz uma suculenta polenta, prato que eles adoram! Nossos papos são fantásticos, o mais velho me mostrou um filme do you tube “Você sabe com quem está falando”, do filósofo Mario Sergio Cortella (https://www.youtube.com/watch?v=0YGB5u2u8kA). Maravilhoso ver o neto com quem sempre conversei sobre tudo me dando o troco com a dica deste filme que, com certeza, vou apresentar em sala de aula. O mais novo é fascinado por TI. “Vovó você sabia que pode ter o whats app no note book?”. Em menos de quinze minutos o “dispositivo” já estava instalado. Depois ele me contou que estão desenvolvendo um game em que o jogador usa um capacete, que, conectado ao cérebro, faz a pessoa fazer parte do jogo! “É mas só vai ficar disponível lá para 2020”, explicou, do alto dos seus 12 anos. Covardia! Perguntei a ele se já estavam pesquisando um capacete para gravar nossos sonhos. “Ah isso não, vovó!”. Eles se foram e a avó com fortes influências uranianas ficou aqui sonhando com a geringonça...
Gatos (de pelo)
Uma vizinha tem uma gatinha que se chama Valentina. De vez em quando ela me visita. Adoro! Mas não consegui conquistar sua confiança. Quando percebo que está na cozinha, vou pé ante pé e, invariavelmente, ela foge. Por via das dúvidas, passei a fechar a janela da cozinha toda noite. Acho que se Valentina pular na minha cama, de madrugada, terei um enfarte!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Urano não está de brincadeira!

Das profundezas do sistema solar ele impulsiona mudanças

 
O atual trânsito de Urano em Áries impulsiona as transformações com base no imprevisível. Você vai por um caminho, planeja, fica seguro e, em seguida, algo totalmente fora do programado surge para alterar suas rotas. É assim mesmo que Urano atua. Ele tem a função de bagunçar tudo para forçar a reflexão e nos ensinar a construir novas soluções. Nessa hora, devemos parar um instante e liberar a resistência às mudanças. É o que chamo de criar soluções uranianas. Pense novo, pense novamente, pense com liberdade. Observe o que está acontecendo. Perceba que você já conhecia este enredo. Urano é o planeta que revela o conhecido. Aquilo que já sabíamos mas não queríamos enxergar. Então é a hora de sedimentar posições, assumir o comando e romper com padrões repetitivos e viciados. Mergulhar no novo? Não, abandonar o velho! Deixar a mente livre para novas descobertas que só virão se o antigo for embora. Quem sabe, viajar de avião em vez de ônibus? Esqueça o medo, chegue mais rápido! Não perca tempo, Urano não perdoa quem demora demais para se movimentar. Olhe em volta, o que pode ajudar a improvisar uma nova saída? Use! Seja um banco que vira mesa, um pote de vidro que se transforma numa linda jarra de flores. Qualquer coisa para não estragar o seu jantar.
É assim que vivemos atualmente, das coisas mais simples às mais complicadas estamos sob esta influência uraniana da imprevisibilidade. Política, economia, sociedade quem encontra alguma estabilidade? E a globalização ajuda o planeta Urano a espalhar sua energia por  todos os cantos. Acordamos e a China mexeu no Yuan causando desmoronamento de bolsas e patrimônios. No meio da tarde, a “Lava jato” indicia alguém muito importante e lá se vão nossas garantias políticas. À noite, estarrecidos, assistimos valores sendo virados de ponta cabeça nos noticiários locais, nacionais e internacionais. É Urano, o astro da revelação, do imprevisível. O bagunceiro do zodíaco! Mas fala sério, alguma dessas verdades que surgem a cada instante são novidades? Corrupção, instabilidade do sistema capitalista, manipulação do poder são surpresas? Não! Tudo está aí debaixo de nossos olhos. Urano apenas puxa o véu e aponta o óbvio. E agora? O que fazer?
O melhor a fazer é aproveitar a energia de Urano, enxergar as crises, assumir responsabilidades e partir para as ações que vão mudar o planeta. Vem de dentro de cada um e pode ser de grande importância para o todo no qual estamos inseridos. A palavra de ordem é coragem! Urano em Áries pede ação rápida, inovadora, consequente e responsável. Não perca tempo, vai lá e muda o mundo!
 
 


sexta-feira, 24 de abril de 2015

SERGIO MACHADO - um psicanalista que trafegou pelo sagrado

Sergio Machado voava alto e era preciso como uma águia
 
 
A transcrição desta entrevista é uma homenagem ao meu amigo, psiquiatra e psicanalista do Rio de Janeiro, Sérgio Machado, que nos deixou esta semana, na quinta feira, 23 de abril, dia de São Jorge, para fazer juz à sua índole guerreira. No início dos anos dois mil, ele e a mulher Marilda construíram uma belíssima e aconchegante propriedade no alto do Caledônia de onde, durante alguns anos, apreciaram e admiraram junto aos filhos e amigos uma das mais belas vistas de Nova Friburgo. Eles pretendiam fincar raízes na cidade para morar e clinicar. A vida não permitiu. Num fim de semana, Sergio, gentilmente, recebeu meu (então) aluno Max Wolosker , hoje jornalista e colunista para uma simpática conversa sobre suas experiências profissionais e de vida. O que na época era uma atividade acadêmica, hoje se transformou num registro biográfico que me orgulho de publicar em meu blog.
 
Curiosa é sua caminhada ao longo da vida. Nos idos de 1964, Sergio formou-se em Engenharia Mecânica, na UFF, mas somente em 1977, na Faculdade de Medicina da UFRJ), é que concluiu o curso de Medicina. Talvez, estes dois cursos tão opostos em sua essência, sejam uma amostra de sua personalidade irrequieta e aberta. O psiquiatra destaca-se no tratamento de pacientes portadores de síndrome do pânico, depressão e no acompanhamento a portadores de câncer. Mas, aponta como uma de suas atuações mais marcantes, o trabalho realizado junto à mãe de santo Marlicene Figueiredo que redundou na fundação do Instituto São Cipriano, em Campo Grande, no Rio - hoje, uma ONG - que cuida de meninas entre sete e dezessete anos, oriundas de favelas da região de Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, visando tirá-las da prostituição. Além de atendimento básico de saúde, em ginecologia e clínica médica e apoio psicológico, o instituto ministra cursos profissionalizantes e faz com que elas freqüentem a escola com regularidade. Sérgio tem também trabalhos publicados, dentre os quais destacamos “Manejo de situações clínicas difíceis”. Com certeza, as características mais marcantes de Sergio são seu alto astral, que o deixa sempre de bem com a vida; o bom papo; e a visceral ligação com a natureza, que direcionou sua escolha por Nova Friburgo.
 
Sua vida acadêmica começa na Engenharia Mecânica. O que o levou a essa primeira escolha?
Sempre gostei de mecânica, desde menino montava e desmontava carrinhos. Meu avô paterno era engenheiro e meu pai sempre quis ser engenheiro, era seu sonho. Mas em função da guerra de 14, meu avô que trabalhava numa empresa alemã, perdeu dinheiro e meu pai não pôde estudar.  Acabou sendo bancário e morreu bancário. Depois que eu terminei meu processo de análise, concluí que a engenharia que cursei, foi para ele e não para mim. Para você ter uma idéia, no meu descanso dos estudos para o vestibular de engenharia, lia a História da Psiquiatria, de Frans Alexander, com a qual me divertia. Seis anos após a formatura de engenharia, recebi um comunicado do CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) me informando que estava exercendo a profissão ilegalmente. Isso, porque entreguei o certificado de conclusão da faculdade para o meu pai - que ficou orgulhosíssimo -, mas me esqueci de registrar o diploma!
 
O que o motivou para uma mudança tão radical, da Engenharia para a Medicina?
Acho que sempre tive essa queda pela medicina, apesar de não ter consciência disso. Na realidade, a única consciência que tinha era que estava muito infeliz como engenheiro. Trabalhava muito, era o que hoje chamamos de workaholic. Em 1969, estava numa obra em Santa Catarina, na hoje famosa praia de Garopaba, quando comecei a ter dores de cabeça insuportáveis. Fui transferido para o Rio onde diagnosticaram uma meningite tuberculosa. Tive de ficar um ano e meio parado, sendo que três meses praticamente isolado, para fugir de estímulos sensoriais, principalmente, som e luz. Durante esse longo período, tive tempo para pensar e cheguei à conclusão de que a doença tinha sido uma tentativa de suicídio bem sucedida. O Sérgio Machado que emergiu dessa situação, era uma pessoa completamente diferente que, entre outras coisas, abandonou a engenharia e decidiu ser médico.
Quantos anos você tinha, quando fez Medicina?
Fiz o vestibular com 34 para 35 e terminei a faculdade com 40 anos. Para se ter uma idéia de como o meu objetivo era mesmo a Medicina, estudei três meses e passei em décimo nono lugar na UFRJ. Para Engenharia, tive que fazer quatro vestibulares.
 
O que o levou à psiquiatria e à psicanálise?
Acho que a medicina e a psiquiatria vêm de berço, é como o dom da música. A ligação com a psicanálise começou na época em que larguei a engenharia, pois minha família e meus amigos diziam que eu estava completamente louco e deveria fazer análise. Logo eu que sempre tive muito medo (e continuo tendo), de psicanalistas (risos)! O internato, no sexto ano de medicina, já fiz em psiquiatria, depois cursei dois anos de pós-graduação que me deram o título de especialista. Paralelamente a isso, fiz cinco anos de formação analítica. Só que hoje, faço psicanálise do meu jeito, o que me fez sair da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro. Na verdade, acho que nem deveria ter sido aceito, pois minha atuação (inclusive receitando medicamentos), não se enquadrava com as diretrizes da sociedade, dirigida para quem gosta da política e da produção teórica psicanalítica. Eu gosto mais de clínica, de doença, tenho uma conduta mais realista, muito diferente da que se procura num analista padrão.
 
Misticismo e Psiquiatria têm algo a ver? Você tem alguma religião, professa alguma crença?
Acho que tem tudo a ver porque tem muito místico doido; e muito psiquiatra místico; e que não sabem. Eu não tenho nenhuma fé religiosa, embora trafegue pelo sagrado.
Como foi seu envolvimento com o Centro São Cipriano, da mãe de santo Marlicene?
Eu tinha um terreno ao lado do centro de umbanda da Marlicene que estava com problemas burocráticos. Um dia fui lá para resolver estas questões e meu empregado sugeriu que eu fosse ao terreiro vizinho para ver se havia envolvimentos espirituais nas dificuldades que enfrentava. Apresentaram-me à Marlicene e ela perguntou se eu era médico, pois atendera uma moça que passava mal e o caso era para médico e não para mãe de santo. Eu a examinei e vi que estava delirando, em franca crise psicótica. Mandei comprar medicamentos injetáveis que, depois de aplicados, me obrigaram a esperar para aguardar o resultado. Quando descobriram que eu era médico, até a psicótica melhorar, fiz sete atendimentos. Marlicene me disse que eu tinha o dom da cura e perguntou se não gostaria de trabalhar lá, como médico. Eu topei e foi assim que tudo começou.
Quer dizer que você é um dos fundadores do atual Instituto São Cipriano?
Sim e tenho muito orgulho de ter começado este trabalho. O início foi curioso, engraçado mesmo. Como não tinha consultório lá, era obrigado a atender no meio do terreiro com um grande altar sincrético ao fundo. Por respeito, tirava os sapatos; por ser médico, andava de branco. Desse modo, entre um médico e um pai de santo, a diferença era muito pequena. Mas no centro, minha palavra passou a ter um peso muito maior que no meu próprio consultório, afinal dava remédio e ainda estava na frente do altar (riso)
 
Como era sua relação com os pacientes no centro da Marlicene?
O mais importante era o diferencial do tempo do atendimento. O paciente esperava muito menos para ser consultado do que num ambulatório público. Além disso, tinha tempo de conversar e contar seus problemas. A consulta não tinha nada de psiquiátrica, psicanalítica ou esotérica, apenas o cara saía dali se sentindo uma pessoa tratada com humanidade. Isso se refletia no tratamento, os medicamentos eram mantidos e, com isso, os sintomas melhoravam.
 
Como era o trabalho no centro São Cipriano?
Começou com atendimento médico e, quando se fazia necessário, encaminhava pacientes para colegas de diversas especialidades. Muita gente que freqüentava o centro, conseguiu tratamento dessa forma, o que seria impossível por conta própria. Aos poucos, levei para lá vários amigos engajados em trabalhos sociais e começamos a estudar um meio de tirar as crianças da rua. Basicamente, as meninas, pois é mais fácil lidar com elas, por serem mais dóceis e cordatas.
 
Como é o entrosamento profissional de um médico com uma mãe de santo? Quem ensina a quem, ou ambos saem ganhando?
Acho que saí lucrando mais do que ela. A Marlicene é uma pessoa fora de série, com uma experiência que não sei de onde ela tira. Aprendi muito com ela que, inclusive, já escreveu livros, discute sobre mecânica quântica, fala sobre filosofia. É impressionante, em qualquer assunto, dialoga com a maior tranqüilidade, apesar de ter cursado apenas o normal. É uma pessoa fantástica e, hoje em dia, uma mãe de santo light. Isto porque o enfoque dela também acabou mudando muito. Por exemplo, ela parou com o sacrifício de animais nos rituais que, atualmente, são feitos apenas com comidas.  Como geralmente faz-se muito mais quantidade do que o necessário, o que sobra é repassado para os asilos, abrigos e orfanatos da região. Na realidade, quem saiu lucrando mesmo foi a população de Campo Grande, pois lá havia carência de tudo e o Instituto São Cipriano veio preencher algumas lacunas e se transformou num centro comunitário com uma grande preocupação social.
Você tem algum caso pitoresco ocorrido no centro São Cipriano?
Lembro especialmente de uma festa de natal que foi tragicômica. Na época, tínhamos 180 crianças e, através de jantares com amigos, arrecadei dinheiro e compramos 400 brinquedos. Aluguei uma roupa de Papai Noel com cajado, saco e tudo e, naquele verão infernal de Campo Grande, me vesti na casa da Marlicene, que era perto do Centro. Quando atravessei a rua, dei de cara com um menino e sua expressão de espanto e felicidade, ao ver Papai Noel em pessoa, ficou gravada em mim até hoje. Mas o fato é que a festa foi um fracasso. Espalhou-se pela região que o bom velhinho ia distribuir presentes no centro e, de repente, apareceram umas mil crianças. Elas invadiram o local e me vi com o cajado na mão gritando: “Saiam seus pestes, fora daqui!”. A coisa foi complicada, pois tivemos de comprar balas e biscoitos para atender à demanda excessiva e eles reclamavam que os amigos tinham ganhado presentes e eles não. Ninguém obedecia, pois eu era um simples Papai Noel bem vestido, cujo código não era o deles. Lá, era um centro espírita, de umbanda, cuja festa maior é Cosme e Damião, o símbolo que eles respeitam e obedecem. Aí eu prometi a mim mesmo não fazer mais festas de natal e sim colaborar com a de Cosme e Damião, que são organizadas do jeito deles, maravilhosas, ordeiras, direitas e bacanas.
 
Você pensa mesmo em se mudar definitivamente para Nova Friburgo?
Se Deus me ajudar, venho. Há trinta anos atrás, tive um sítio em Macaé de Cima, por quase 14 anos. Aquele lugar é um sonho, mas por uma série de circunstâncias, acabei vendendo. Em seguida, tive um outro, em Rio Bonito, perto de Lumiar. Depois comprei uma propriedade em São José do Vale do Rio Preto, onde passei os últimos anos, um lugar também muito bonito, mas que era quente no verão. Friburgo sempre ficou no meu coração. Gosto de mato, de verde, do contato com a natureza, de frio, de acordar cedo e sair para caminhar. Isso tudo é o que não falta por aqui! Tenho um jipe vermelho e ando por esse mato todo. Aqui perto há uma cachoeira e tenho o privilégio de tomar banho, vendo a cidade lá embaixo. Meu sonho é vir morar aqui, definitivamente. Por enquanto, pretendo subir na quinta à noite e descer na segunda à noite. Desse modo, daria para abrir um consultório aqui e manter o do Rio. 
Você como psiquiatra lida muito com a síndrome do pânico? O que é essa síndrome, tão falada atualmente? Seu diagnóstico é difícil?
Hoje em dia, no consultório a grande maioria dos casos é de pânico ou depressão. Se bem que penso que quem abre um jornal hoje e não fica deprimido, ou em pânico, não é normal! Mas, Campo Grande me ensinou muito, pessoas que há 20, 30 anos atrás eram diagnosticadas como portadoras de ansiedade generalizada, hoje seriam enquadradas na síndrome do pânico. Na minha opinião, o que caracteriza o pânico é que ele se manifesta independentemente de qualquer estímulo externo. Por exemplo, quando você perde um ente querido, pode sobrevir uma depressão reativa - que é até esperada. Ou então pode surgir uma depressão fóbica, não reativa - que é um quadro psiquiátrico. No pânico não. O indivíduo está dirigindo o seu carro e, repentinamente, tem um troço - talvez uma descarga violenta de cortisol - que causa taquicardia, falta de ar, medo de perder o controle e de morrer. Ele larga o carro no meio da rua e sai correndo. É atendido num pronto socorro, taquicárdico, mas com pressão arterial normal que melhora com um medicamento benzodiazepínico, relaxante. A partir daí, o cara começa a ficar com medo do medo. Para mim o pânico é isso, você não tem nada prévio e, subitamente, se desencadeia uma situação como essa. Acho que ele está associado a uma condição fóbica e, como toda fobia, a um quadro depressivo subjacente. Portanto, é tratável com antidepressivo.
Já que você falou em depressão, qual a diferença entre depressão e angústia?
Essa é uma pergunta capciosa, porque é difícil diferenciar as duas. Geralmente, a depressão vem acompanhada de pensamentos negativos, o paciente acha que nada vale a pena, nada vai dar certo, que o melhor é morrer mesmo. É um processo mais de alma. A angústia está mais ligada a algo existencial, é mais filosófica. O fato de estarmos vivos hoje, produz angústia.  O governo que temos, a fome na África, a violência no Rio de Janeiro são causas de angústia e não de depressão.
 
No caso do câncer, a própria doença leva à depressão ou ela surge em função do tratamento?
As duas coisas. Já vi portadores de câncer se tornarem mais espertos ao receber a notícia e reagirem de uma forma fantástica. Assim como já presenciei portadores de câncer deprimir gravemente, diante da ameaça real que estão sofrendo. Nesses casos, é preciso ajudá-los a lidar com essa situação. O uso de antidepressivos, desde que venha junto com a psicoterapia, tem um efeito muito bom. Só acredito no antidepressivo, sozinho, nas depressões maiores, endógenas. Acho que não existe uma relação direta entre câncer e depressão. Apesar dos quimioterápicos reduzirem a taxa de serotonina, nem todos os pacientes passam por esse quadro.
Você é casado, tem filhos? Fale um pouco de sua vida familiar.
Tenho cinco filhos, dois do meu primeiro casamento e três com a Marilda. Na verdade, eles são meus enteados, mas como estamos juntos há mais de trinta anos, os considero como meus filhos, também.
 
Você tem algum projeto, além da medicina?
Um projeto que já estou realizando, com a ajuda do jornalista Silvio Ferraz, é escrever minhas histórias, afinal com minha idade, já posso olhar para trás. Só pretendo parar de trabalhar quando morrer, gosto muito do meu consultório. Aliás, outro dia aconteceu um caso engraçado. Tenho um paciente esquizofrênico que é muito boa gente. Ele estava na sala de espera e eu atendia uma freira, levada por outra religiosa, com uma profunda depressão. Quando a consulta terminou e abri a porta, ele viu as duas freiras, de hábito, indo embora. Ele entrou e me perguntou: “Pô Sérgio, será que eu piorei muito? Saíram mesmo duas freiras daqui?” Quando eu confirmei que sim ele indagou: “E freira vai a psiquiatra?”
 
Max Wolosker